APCBRH E ADAPAR FORTALECEM PARCERIA PELA SANIDADE ANIMAL NO PARANÁ
A ADAPAR e a APCBRH deram mais um passo importante na integração de ações voltadas à sanidade animal no...
Esta é a pergunta mais comum que respondemos quando estamos no campo. Sabemos que é um dos índices mais utilizados na seleção de sêmen ou na escolha das fêmeas do rebanho, mas será que é tão bom assim?

O TPI é um índice muito importante para a seleção de touros e vacas, mas precisa ser bem compreendido para, de fato, gerar resultados no rebanho. É importante ter em mente que muitos índices são desenvolvidos para realidades específicas, geralmente de um determinado população de animais ou para um determinado país. Ou seja, estão diretamente ligados ao modelo de negócio daquela região e ao tipo de animal que os produtores locais buscam para atender às suas necessidades dos próprios criadores, indústria e consumidores.
A experiência em genética e o conhecimento técnico têm nos levados a refletir: afinal, que tipo de vaca o Brasil precisa? Será que os pesos atribuídos na fórmula do TPI estão, de fato, alinhados com nossa realidade?
Para avançar nessa discussão, vale dar um passo atrás e responder a uma pergunta essencial: o que é um índice genético?
De forma simples, um índice genético funciona como uma “nota final” do animal, reunindo diversas características importantes em um único número, permitindo resumir o valor genético de um touro ou de uma vaca, sendo que ao mesmo tempo as características nele presente tenham correlações ajustadas para a necessidade do índice.
Afinal, não queremos apenas animais com alta genética para uma determinada características Ex: produção de leite. Se fosse assim, bastaria olhar para característica as como a PTA leite (capacidade produtiva). O objetivo é mais amplo, ou seja, o foco é a vaca “resiliente” a vaca equilibrada, aquela que, no fim do mês, lactação gera resultado econômico e vai além que produza muito leite, com altos sólidos, boa longevidade, saúde e eficiência reprodutiva?
Mas, por fim, o que é o TPI?
O Índice de Performance Total (TPI) foi desenvolvido pela Associação Americana da Raça Holandesa (Holstein Association USA). Ele combina diversas características, cada uma com um peso específico, considerando também suas variações e correlações genéticas. O índice é estruturado em três grandes grupos de características, com os seguintes pesos:
Como interpretar o TPI?
O TPI foi desenvolvido para promover o equilíbrio entre as características do animal, considerando várias delas ao mesmo tempo e evitando o ganho excessivo de uma em detrimento de outras. De forma geral, quanto maior o valor do índice, maior tende a ser o potencial de ganho genético, especialmente em aspectos ligados à produção, saúde e conformação.
No contexto do TPI, isso significa selecionar vacas mais equilibradas para o modelo de produção dos Estados Unidos: animais eficientes em produção de leite, com boa vida produtiva, saúde e longevidade.
Um exemplo ajuda a ilustrar. Um animal pode ser excelente em produção de leite, mas não ter uma conformação funcional adequada para enfrentar os desafios do dia a dia, apresentando, por exemplo, problemas em úbere, pernas e pés. Além disso, pode ter baixos teores de sólidos em um cenário em que os laticínios remuneram por qualidade. Nesse caso, apesar do alto volume, esse animal pouco contribui para o avanço do rebanho e da própria raça.
Em resumo, quanto maior o TPI, melhor tende a ser o conjunto do animal, não apenas em uma característica isolada, mas no equilíbrio entre elas.
Afinal, para o que tem então serve o TPI?
O TPI sinaliza ao produtor de leite que tipo de vaca deve ser construída no rebanho, ou seja, orienta a seleção de animais mais alinhados ao sistema de produção. Na prática, ele aponta quais perfis tendem a gerar melhores resultados no negócio leiteiro daquele país, ajudando a responder uma pergunta central: que tipo de vaca eu quero hoje e no futuro?
A partir dessa direção, o produtor consegue construir um rebanho mais produtivo, mais resistente, mais longevo e, principalmente, mais lucrativo. O TPI é, sem dúvida, uma ferramenta muito potente, mas não deve ser utilizada no modo “automático”.
O segredo é entender que:
A melhor vaca não é, necessariamente, a que mais produz leite, mas aquela que entrega mais resultado dentro do sistema em que você está inserido. Um ponto interessante é que o TPI vem passando por ajustes recentes em algumas características. Um exemplo é a inclusão da estatura nos cálculos dos compostos de úbere, pernas e pés, um avanço importante.
Isso acontece porque existe correlação genética entre essas características: ao selecionar para úbere ou aprumos, acabava-se, indiretamente, favorecendo animais mais altos. Com essa atualização, o índice passa a aplicar uma ênfase negativa para estatura excessiva, estimulando vacas de porte mais moderado e mais alinhadas e com eficiência, funcionalidade e longevidade no sistema produtivo.
Nova fórmula TPI (abril, 2026).

O valor 2845 ajusta-se à alteração periódica da base, permitindo que os valores do TPI sejam comparáveis ao longo do tempo.
O TPI leva em sua fórmula as seguintes características:
Nossas Orientações: O TPI é um Índice muito importante e deve-se levar em consideração nos seus objetivos de seleção de touros e fêmeas, mas ele tem que estar alinhado, com o modelo de animal que você precisa para o seu negócio, por exemplo no Brasil ainda volume de leite é o mais importante, ou seja, está deve ser a característica que devemos dar mais ênfase, ao mesmo tempo conciliando com outros índices ou pontos que sejam importantes para seu rebanho. Foco no seu objetivo de seleção, como se diz “para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve.”
Veja abaixo a relação dos touros disponíveis com maiores TPI, (Holstein Association, Inc. – Abril 2026):
