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Sexta, 09 August 2019 16:17

Entenda como a Seleção Genômica influencia a produção de leite.

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Entenda como a Seleção Genômica influencia a produção de leite

 

‘Como a seleção genômica transformou a indústria da genética leiteira: o passado, presente e o futuro’ esse foi o tema da palestra realizada terça-feira (06/08). A Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa (APCBRH) cedeu o auditório para o evento, a promoção e realização foram da empresa Select Sires do Brasil Genética LTDA com o geneticista iraniano Dr. Mehdi Sargolzaei.

O pesquisador tem no currículo a participação no grupo de estudo que elaborou o projeto de implantação de Seleção Genômica no gado de leite no Canadá, em 2006. O desenvolvimento de programas de computador como QMSIM e FLMPUTE, que são utilizados para calcular e inserir dados dentro de programas de Avaliação Genômica e utilizados por mais de 20 organizações internacionais e nacionais entre elas a Embrapa. E ainda a criação de um software que mede a acurácia, a exatidão das informações coletadas sobre o pedigree dos animais. Ele apresentou uma linha do tempo sobre a evolução científica do melhoramento genético animal.

Linha do tempo

Registros apontam que o primeiro acasalamento genético foi feito em 1770, utilizando o melhor macho com a melhor fêmea. Com o passar do tempo surgiram novas técnicas que aperfeiçoaram a seleção como: inseminação artificial; sêmen congelado; fertilização in vitro; e transferência de embrião. O pesquisador também fez um resumo dos métodos de Avaliações Genéticas tradicionais de animaispara seleção de touros e citouo modelo ANIMAL BLUP onde são utilizados para os cálculos,os efeitos fixos, aleatórios e residuais dos animais.

“Nos métodos tradicionais a avaliação é realizada baseada nas informações de pedigree, valores fenótipos (produção, conformação, etc), análise estatística, a predição do método genético dos animais e como resultado teremos os valores genéticos. Hoje os associados da Paranaense já tem estas avaliações, que são disponibilizadas como Avaliações Genéticas Clássicas (AGC), no site (WEB+LEITE). A grande vantagem é que estas avaliações são realizadas com dados que foram geradas no nosso ambiente, e isto tem um valor extremamente significativo”, comentou o superintendente da APCBRH, Altair Antonio Valloto.

Em 1990, foi criado um novo modelo de avaliação para o de melhoramento genético assistida por marcadores de genotipagem. A fórmula utilizada para aferir o ganho genético em cada animal era a intensidade de seleção +a acurácia de seleção + o desvio do padrão genético medido pelo intervalo de geração. Onde o item mais importante era a acurácia da seleção. Assim foram inseridos no processo os ‘marcadores’, que identificam as características do animal.

Avaliação Genômica

Com o avanço das pesquisas se chegou Avaliação Genômica ondeé possível identificar com exatidão os gens que estão sendo passados para a progênese, pois existem marcadores de alta densidade para toda a sequência do DNA do animal. Com essa tecnologia é mais fácil calcular o valor genético dos animais e identificar todo o genoma.

Avaliação Genômica permite que as empresas de sêmen trabalhem com um grupo de animais de uma população referência sendo ela composta por touros e vacas. O tempo de produção dos dados que se obtém de um animal recém-nascido, quando se utiliza essa ferramenta, permite que as empresas e os produtores comercializem os animais quando estes começam a produzir sêmen. O que, segundo o especialista, traz maior rentabilidade aos criadores. 

Esta ferramenta também permite a identificação de características que agregam valor aos animais beneficiando os produtores, como por exemplo: eficiência alimentar, características de saúde, fertilidade, idade ao primeiro parto, e resistência ao calor, ou, características da vida produtiva. A acurácia vem aumentando e quem sabe para algumas características poderemos chegar a 90 a 95 %. “Mesmo assim o percentual de acerto da seleção genômica ainda não é de 100%, porque existem outros fatores que influenciam no processo de reprodução dos animais”, lembrou o especialista.  

Como a Avaliação Genômica impactou o ganho genético nos animais?

Em sua análise, Mehdi Sargolzaei, aponta onde está a grande vantagem desta metodologia: na diminuição do intervalo de gerações. “Em 2000 o quando os Estados Unidos e o Canadá começaram a utilizar essa ferramenta de seleção o processo era feito apenas em touros. Mas, a partir de 2011 esse ganho genético aumentou porque os produtores começaram a genotipar também as fêmeas. Era preciso descobrir quais eram as melhores mães. Esse avanço permitiu que o tempo de avaliação dos touros caísse de cinco anos para dois anos (2017). E a tendência é que o tempo diminua ainda mais segundo o pesquisador” diz.

Inicialmente, a genotipagem era feita só em touros com chips de alta densidade, que têm custo muito alto para os criadores – cerca de 70 a 200 dólares, dependendo do país onde está feito o exame. Para incluir as fêmeas e reduzir o custo para os produtores foram desenvolvidos chips de baixa densidade de 3k, 6k, 9k até 50k. O especialista afirmou que a inclusão das fêmeas no processo de genotipagem acelerou os estudos e apresentou números: “Até 2011 o número de fêmeas e machos genotipado será praticamente igual, já em 2016 de 1,2 milhões de animais genotipados 1 milhão eram fêmeas.  Atualmente do total de 3.5 milhões animais genotipados, 90% são fêmeas”. No Brasil estimativas apontam, que atualmente cerca de 25 mil animais por ano sejam genotipados no segmento gado leiteiro.

Outra mudança que a Avaliação Genômica trouxe é a informação mais próxima da realidade em relação à taxa de consangüinidade. Os pesquisadores que estudam a raça holandesa sempre trabalharam com uma taxa de consanguinidade entre 6 e 7%, hoje sabe-se que esse percentual está próximo de 15%.

Entre as mudanças promovidas por esse processo também está a diminuição do volume de dados necessários para se ter as provas dos touros. O mesmo também acontece com gens letais que podem impedir que as vacas desenvolvam alguma doença grave que as impeçam de chegar à vida adulta produtiva.

Vantagens da Avaliação Genômica nas raças leiteiras

1) Na seleção de acasalamento, a precisão está muito maior;

2) Diminuição do intervalo entre gerações;

3) A intensidade de seleção é muito mais alta e com isso a acurácia é maior o que facilita a seleção das mães de touros;

4) Observação mais próxima do real valorde percentual de consanguinidade na raça holandesa;

5) Identificação de doenças que são letais para a prenhez das vacas. Esse fator possa contribuir para aumentar a fertilidade da raça holandesa;

6) Acasalamentos genômicos;

7) Genotipagem de embriões já é uma realidade;

8) Surgimento de novas características da raça holandesa com o aprofundamento de pesquisas sobre a seleção genômica da raça, e,

9) Esforço dos pesquisadores de aumentar a capacidade de reprodução das fêmeas.

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